Jesus e o Evangelho olham para os Pobres

 


Jesus advertiu na parábola do semeador: “As riquezas enganam”. O primeiro engano delas é quando quem a extrai da terra, se acha proprietário exclusivo dela, pelo sacrifício para obtê-la. Ninguém, seja um humilde trabalhador, seja um grande empresário que se vale de maquinarias para tirar da natureza o que é de todos, e processa-lo, é o definitivo e absoluto dono, sem embargo, os humanos cedo souberam que o mais forte tenderá sempre de ser ainda mais forte, pagando aos mais frágeis um pequeno salário, para o mais forte enriquecer, acumular e logo ter ainda mais poder para dominar os menos fortes. Esse engano é fatal, porque cria uma sociedade escrava de coisas, que nunca se satisfaz nem adquire paz, segurança e felicidade.

Um segundo engano das riquezas, é a falsa segurança. Watchmann Nee tem observado, visitando um convento de freiras, que estas caminhavam horas e horas, meditando, sem falar uma só palavra, nem muito menos dialogar entre elas, e logo, ao atendê-lo, jorravam amabilidade, carinho, compaixão. Logo ele viu na cozinha um diálogo ácido e afrontadiço entre elas, e ouviu uma briga infantil e egoísta. Então entendeu: a riqueza financeira e material dá certa paz, que nos confunde com a paz de Cristo, que é bem outra coisa.

A alma é enganosa. Nenhuma alma é amistosa com o espírito, e o dinheiro e as coisas materiais acostumam nos enganar que nossa alma ao fim se sujeitou ao nosso espírito, e então estamos agora, desfrutando de um viver no nosso espírito, em comunhão intima com Deus o Pai dos espíritos. Não é verdade. Nenhuma alma tem esse poder de obedecer ao espírito humano, muito menos o de Deus. E os bens materiais ajudam elas enganar a nós mesmos. O verdadeiro desfrute espiritual de Deus, faz sofrer nossa alma, e Davi aprendeu a dar-lhe ordem: “bendiz ao Senhor, ó alma minha!”.

Era a década de 1980 ainda, quando conheci o Projeto Palavra da Vida em Atibaia, SP, e o filho de quem hoje é um apóstolo (que conduz uma enorme “igreja” e que era Promotor de Justiça, meu amigo), um menino tão lindo, que parecia um ser celestial, indo a morar nas dependências desse projeto, porque o pai tinha medo de que ele se tornasse gay, voltou diplomado. Conheço um “grande” apóstolo com quem tive uma grande amizade, e o considerava o único ou pelo menos o melhor apóstolo genuíno do Brasil. O tenho nos meus contatos diários, e durante a campanha política dos últimos meses, andou enrolado com a bandeira do Brasil, e gravou vídeos semeando ódio na população, defendendo um homem e uma filosofia amante do deus Mamom, perdendo todo juízo. Tem projetos no Brasil e em toda a América Latina que parecem missões genuinamente evangélicas, mas que não passam de projetos de doutrinamento da filosofia política do Capitalismo, no lado protestante e também no católico. E isto, já vem de séculos; por isto é que se alarmam quando percebem o doutrinamento esquerdista infiltrado nos mesmos espaços sociais.

Como missionário do Espírito Santo que fui desde final de 1979, até hoje, aprendi que a paz do mundo não é a paz de Deus. Que a paciência humana por longe, apenas se parece à paciência do Senhor Jesus. Que o amor divino é de pura graça, e o nosso sempre é condicional. Que o nosso perdão raramente não nos deixa pecar ao orar o Pai Nosso, e que a generosidade do poder temporal tarde ou cedo nos captura da genuína adoração ao proprietário do Céu e da Terra, para que adoremos a Mamom. Estou sendo demasiadamente radical? Não! Eu também uso o dinheiro, e também dependo dele, mas, aprendi a sujeita-lo ao Soberano Senhor de tudo, Deus.

O pastor Osmar, fundador em Curitiba do Projeto SDS, um seminário teológico muito bom, lembrou em público por ocasião de uma palestra minha a seu alunado, quando em Chapecó, SC eu trabalhei esta questão do deus Mamom, esmagando uma nota de dinheiro grande, e alheio, cedido no momento por uma mulher ali presente, e me impactou pela impressão que ele tinha tido na ministração da Palavra. Seu projeto também dependeu em muito de dólares dos EUA. Nenhum esforço humano de servas e servos de Deus, missionários de qualquer país noutros, passa desapercebido de Deus. Ele sempre os tem em contra, os abençoa e usa para salvação de descrentes, cura de almas, e inserção social. Mas, nenhuma missão é tão valiosa aos olhos de Deus, como a que se desenvolve sem dinheiro e sem qualquer apoio volumoso de pessoas com maiores mordomias econômicas e de capital humano.

"Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia, que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. O Senhor faz justiça e juízo a todos os oprimidos. Fez conhecidos os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel” [Salmos 103:1-7].

Em Maringá me enviaram a um projeto missionário para conhecer e assisti-los num final de semana. Foi maravilhoso; os ali hospedados me agradeciam muito e pediam para que eu ficasse com eles. Quando um pastor presbiteriano presidente da comissão do projeto soube, urgentemente foi lá e me fechou as portas, sem me conhecer nem um pouquinho, mas ele tem um projeto famoso, mantido por dólares, com expedições na África, e eu continuo de sandálias em terras poeirentas do Brasil, levando o Evangelho de Jesus.

Os colonizadores continuam trocando de nós ouro, por espelhinhos. “No descobrimento da América realizou-se a primeira operação comercial da história da América, que consistiu na troca de ouro de nossos indígenas por espelhos quebrados e sucata velha que os espanhóis traziam nas três caravelas. Ouro por espelhos! O primeiro intercâmbio econômico de nossa história! Os cronistas, ao conhecer os termos do negócio, se apressaram em qualificar de idiotas os habitantes da América. Mas, um repórter perguntou a uma avó: vocês ficaram conformados com a troca, avó? A avó respondeu: Eles é que não se conformaram. Esses barbudos ficaram loucos quando agarraram esse ouro. Não agradeceram. Ficaram num estado febril. E começaram a reclamar-nos, com exigências, com muitas ameaças. Então eu disse aos mais jovens: Se a coisa começou assim, vai acabar mal. E não acabou mal, mas pior. Esta febre de ouro durou tanto que no primeiro século e meio de colônia espanhola chegaram ao porto de Sevilha, na Espanha, 185 mil quilos de ouro puro. Autêntico. 185 mil quilos de ouro puro que vinham da América… que eram nossos, no Brasil e na região hispano falante. Durante 500 anos brincaram de presentear-nos com espelhos” https://radialistas.net/ouro-por-espelhos/. O que vemos hoje, são “evangélicos” e “católicos” donos das almas humanas, o negócio das riquezas na terra sendo tiradas de nós e levadas a paraísos fiscais, milhões de escravos pelo trabalho, e um “Povo de Deus” dividido em Esquerda-Direita, Teologia da Libertação e Teologia da Prosperidade. Mas, a genuína missão evangélica de Jesus dá a vida pela salvação e o perdão de todos nós. De traje passei também pela PIB de Curitiba, e outras, e só vi o Capitalismo da Primeira Potência gerenciando missão de refugiados ucranianos, escravos do sistema. Me delataram pelas sandálias que calçava.   

Tito Berry

Missão Mundial da Graça  

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